Compras

Ia em frente apreciando a esquerda, acreditando que as bancas ocupassem só um lado até o fim do pavilhão. Aí a menina sugeriu que eu mirasse o outro lado.

Primeiro, de tocaia no lugar certo, perguntou:

– Gosta de pipoca?

Seria simples enquete?

Não, era estratégia comercial. Quando orientou-me a olhar à direita, descobri que além dos banheiros o saguão se alargava num mar de tendas.

Antes de entregar o meu segredo, indaguei:

– É doce?

Silenciou por um instante, e a cabeça maliciosa viu naquela fração de serenidade a intenção dela em esconder alguma coisa. Atualmente resolveram satanizar meu regalo pelo açúcar, e talvez ela quisesse ocultar presenças indesejadas no produto.

Logo apaziguou meu lapso de angústia, afirmando o que de fato importava aos meus ouvidos:

– É doce e deliciosa, mas você tem que experimentar para ver se gosta.

– Não é muito caro?

– Não! Pela delícia que é, está baratinho. E se não apreciar não paga.

Havia opção, polvilhada com paçoca de amendoim ou com leite em pó. Meu paladar inábil em diferenciar nuances de sabores, não ajudou na decisão. Tentei ajuda:

– Em caso de compra, qual sugere?

– Havendo dúvida, senhor cliente, é aconselhável levar uma de cada, pelo menos.

– Pena que estou com quase nada de dinheiro…

– Fique tranquilo, aceitamos cartão.

Enquanto eu digitava a senha, a garota entregava um folheto para a eventualidade de mais compras no futuro.

Depois de tudo acertado, agradeceu, se colocando à disposição. Sondei:

– Imagino estar ganhando uma comissão gorda pelo bom trabalho.

Foi a mãe que rebateu:

– Ela compra mais que vende. Ah! Se eu fosse cobrar dela tudo o que já gastou nesta feira.

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