A Misteriosa Mulher do Lago

Estranhei quando a vi tão elegante e maquiada, admirando a ruína. Na verdade, estar parada ali naquela manhã gelada já era um mistério e tanto. Gosta de sentir frio?

Indiferente ao clima, mirava a penúria do castelo abandonado.

Por mim, não fossem as ordens médicas, expressas, insistentes e reiteradas, estaria em casa, debaixo das cobertas. Por azar, esqueci os óculos. Pode lhe parecer pouco, mas além de enxergar melhor, seria uma proteção a mais contra o vento.

Quis muito saber o porquê de estar de olho no meu palácio favorito, enterrado no bosque. Aprecia o estilo gótico? Conhece as lendárias funcionalidades da construção? Consideraria importante restaurar o patrimônio se decompondo?

Perseguido por dúvidas, decidi falar com ela, está na minha direção.

Melhor não, vou cuidar da própria vida, ela pode repelir.

Fui adiante, pensando nela. Naquela fração de olhada, me pareceu familiar. Conheço de onde? O que faz aqui trajando social, território do agasalho e da bermuda? No caso, mais agasalho, quem sairia mostrando as pernas neste gelo?

Postura atenta, lábios rubros que nem brasa, mancha semiaberta parecendo balbuciar. Tive a impressão de que ela queria manter contato. Na volta, se ainda estiver lá, coloco-me as ordens. Seria uma restauradora interessada em revitalizar o castelo dos Bulevar?

Maquiagem carregada, praticamente uma máscara rebocando a face, fiquei encucado. Por que será tanto creme lambrecando o rosto, decerto bonito de qualquer jeito? Somente os olhos, livres de cera.

Uma coisa é certa, o negócio dela é obra antiga. Seria uma descendente do lendário Bulevar de Freitas? Talvez conheça melhor que eu a história do castelo desativado. Agora sim tenho motivo, vou abordá-la. Da próxima não passa.

Contornei a longa trilha circundando o lago. Ninguém mais caminhando, o pessoal hoje preferiu lugar fechado. A não ser ela… Ainda estará lá?

Nada da mulher, somente o esqueleto do prédio engolido pelo mato. Não suportou tanta friagem, aposto. Que nada, quem eu vejo lá adiante, bem no meio do caminho? As botas negra de cano longo se escondiam dentro do casaco de pano grosso.

Mais uns passos e descobri, interagia com um ganso agitando a água e se fartando na comida. Ela parecia se divertir com o apetite do esfomeado flutuante, um grânulo para cá, outro para lá. Gosta de vê-lo disputando o petisco com as carpas submersas? Ele mergulhava fundo, praticamente sumindo, de fora só a penugem do rabo. Será que planeja afogar a ave?

Não perdia a viagem, voltava se engasgando de bico cheio. Não falta ar no pulmão deste animal? Ninguém vende na redondeza o que ela fornece ao bicho. Trouxe o pacote de casa?

Ao chegar perto, nova pergunta aflora: enfrenta o clima perverso pelo castelo decadente ou para cultuar o vigoroso pescoçudo?

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Fonte da Imagem
https://pixabay.com/pt/photos/l%C3%A1bios-red-mulher-menina-sexy-1690875/

 

10 comments on “A Misteriosa Mulher do Lago

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