Caiu de maduro

Barulho abafado, escutei porque foi perto. De tão perto, quase fui atingido. Parecia em movimento quando olhei, mas deve ser impressão, se acomodou em terreno plano.

Alguém mais ouviu, e quis saber:

– Derrubou alguma coisa?

– Um chuchu, caiu sozinho.

– Ontem você garantiu que tinha colhido todos.

Ao ver o fruto no chão, enorme, eu deveria ficar feliz, mas não fiquei. Amarelado e brotando, denunciava um trabalho mal feito. Como deixei passar do ponto? Mas claro, o broto encorpado do chuchu escondia a si mesmo.

Em vão tentei adivinhar de onde desabou. Bobagem, não deixou vestígio.

Sopesei e concluí:

– Pesa mais de um quilo.

– Por baixo um quilo e meio.

– A preço de mercado …

– Nestas condições não tem valor.

– Mas vamos aproveitar de qualquer jeito, não vamos?

Não houve vento nem brisa acelerando a queda do chuchu. Só a natureza atuando, minha presença, em nada interferiu. O pendão morreu, a gravidade fez o resto do trabalho.

O broto enraizado nas entranhas do chuchu era um novo chuchuzeiro. Embora herdasse a genética do chuchu agonizando, era outra vida, independente. A carcaça trincada se resumia a nutrientes para a nova existência, teimosa e apressada.

O chuchu morto trazia a promessa de novos frutos, cujo destino se encontrava literalmente em minhas mãos. Geraria novos frutos, se eu deixasse.

 

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Fonte da Imagem

Fruta Legumes – Foto gratuita no Pixabay

 

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